Quando eu era mais nova, costumava ter sentimentos que alguns chamam de "Depressão de Fim de Ano". Ao término do ano, eu tentava me lembrar d tudo o que fizera, e não e me vinha nada muito significativo à mente. Então eu chorava compulsivamente e elaborava novas - e igualmente frustrantes - "resoluções de fim ano", mesmo sabendo que elas me fariam voltar a esse mesmo estado, no período seguinte. Após alguns anos, parei com isso. Parei de estipular tantos prazos e metas para mim mesma, e percebi que assim foi-se o meu problema. Lembro-me como eu estava a essas alturas, no ano passado: prometi não prometer nada, exceto uma coisa: estudar. Eu sabia que 2009 seria um ano diferente, e sabia - ou pelo menos achava que sabia - quais deveriam ser minhas prioridades. Mas eis que começou o ano e...
Bem, vieram muitas mudanças. Nesse ano fiz muitas coisas que nunca fizera, viajei - o que não me é algo tão comum -, me formei no segundo grau, ganhei um irmão (ou melhor, dois), e tantas outras coisas diferentes. Foi - como diria Alfredo - um ano atípico, mas não só no que me refiro à escola, como citava o professor.
Mesmo com todas as transformações, mantive meu foco. Eu estudei, e abri mão de muitas coisas para tal. Abdiquei momentos com minha família e amigos, lazer, descanso e outros prazeres, tudo em prol dos meus estudos. Mas, como dizem, o vestibular não é um processo muito justo, por que avalia como a pessoa se sai NAQUELE dia, não julga o caminho que a pessoa cursou até ali... Está certo que eu, ainda que tenha me dedicado, não o fiz o suficiente, já que há 203 pessoas na minha frente. Mas, devido à minha falta de concentração, eu acho, ao meio dia a fiscal puxou o gabarito das minhas mãos sem que eu pudesse terminar de preenchê-lo. Naquele momento, senti a frustração que viria, assim como vinham nos finais de ano, quando eu era menor. Era o peso de não ter cumprido a meta que eu estabelecera. Mas dessa vez era pior... por que não era a meta de um ano, mas de muitos. Quando eu tinha 10 anos, decidi que faria Direito, sem que houvesse ninguém da minha família nessa área, nenhuma influência persuasiva. E mantive minha escolha até o vestibular, aos 17 anos. Ao ouvir o toque, e ao entregar meu gabarito indevidamente preenchido, parecia que os meus sonhos desmoronavam junto com minha média. Tive a alegria de ver meus amigos comemorarem suas ótimas posições, ainda que não participasse completamente da festa, pois, ainda que eu tivesse mais pontos do que muitos deles, a minha escolha era diferente, o que me deixou um pouco longe meus objetivos.
Agora, perto do fim, já aprendi a aceitar algumas coisas. Ainda que tenha que aprender a lidar com a decepção dos meus pais, e enfrentar novamente a maratona vestibulesca, encontrei em mim forças para continuar e perseguir meus sonhos. E contudo, encontro mais do que nunca motivos para sorrir neste fim de ano. Não passar no vestibular foi minha maior decepção este ano, apesar de o resultado ainda não ter sido divulgado. Porém, maior do que a decepção é a minha determinação. Sinto que meus sonhos estão perto. Devo atrasar-me o que, 6 meses, um ano? Quando se tem 17 anos, 6 meses são como uma vida, mas não para mim. Ando aprendendo a lidar também com o tempo, que sempre me assustou tanto. E que venha o ano seguinte, com o gostinho de renovação que ele sempre traz.
Gratidão
Há 12 anos
