domingo, 18 de julho de 2010

ainda não sei como vai ser. já planejei tantas vezes, escolhi as palavras, o tom, previ todas as reações possíveis, e um modo de levá-las, quaisquer que sejam, a uma única pergunta, pivô de todo o meu discurso. não sei se consigo. não sei nem sequer se será possível. mas, se não for, não sei até quando posso seguir. nem sequer sei como cheguei até aqui. incrível que, depois de tanto tempo, ainda me assuste.

- once you get in, it's hard to get out...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Flagelo do Vestibular

Não tenho curso superior. O que eu sei foi a vida que me ensinou, e como eu não prestava muita atenção e faltava muito, aprendi pouco. Sei o essencial, que é amarrar os sapatos, algumas tabuadas e como distinguir um bom Beaujolais pelo rótulo. E tenho um certo jeito — como comprova este exemplo — para usar frases entre travessões, o que me garante o sustento. No caso de alguma dúvida maior, recorro ao bom senso. Que sempre me responde da mesma maneira? "Olha na enciclopédia, pô!"
Este naco de autobiografia é apenas para dizer que nunca tive que passar pelo martírio de um vestibular. É uma experiência que jamais vou ter, como a dor do parto. Mas isto não impede que todos os anos, por esta época, eu sofra com o padecimento de amigos que se submetem à terrível prova, ou até de estranhos que vejo pelos jornais chegando um minuto atrasados, tendo insolações e tonturas, roendo metade do lápis durante o exame e no fim olhando para o infinito com aquele ar de sobreviventes da Marcha da Morte de Batan. Enfim, os flagelados do unificado. Só lhes posso oferecer a minha simpatia. Como ofereci a uma conhecida nossa que este ano esteve no inferno.
— Calma, calma. Você pode parar de roer as unhas. O pior já passou.
— Não consigo. Vou levar duas semanas para me acalmar.
— Bom, então roa as suas próprias unhas. Essas são as minhas...
— Ah, desculpe. Foi terrível. A incerteza, as noites sem sono. Eu estava de um jeito que calmante me excitava. E quanto conseguia dormir, sonhava com escolhas múltiplas, a) fracasso, b) vexame, c) desilusão. E acordava gritando, NENHUMA DESTAS! NENHUMA DESTAS! Foi horrível.
— Só não compreendo porque você inventou de fazer vestibular a esta altura da vida...
— Mas quem é que fez vestibular? Foi meu filho! E o cretino está na praia enquanto eu fico aqui, à beira do colapso.
Mãe de vestibulando. Os casos mais dolorosos. O inconsciente do filho às vezes nem tá, diz pra coroa que cravou coluna do meio em tudo e está matematicamente garantido. E ela ali, desdobrando fila por fila do gabarito. Não haveria um jeito mais humano de fazer a seleção para as universidades? Por exemplo, largar todos os candidatos no ponto mais remoto da floresta amazônica e os que voltassem à civilização estariam automaticamente classificados? Afinal, o Brasil precisa de desbravadores. E as mães dos reprovados, quando indagadas sobre a sorte do filho, poderiam enxugar uma lágrima e dizer com altivez:
— Ele foi um dos que não voltaram...
Em vez de:
— É um burro!
Os candidatos à Engenharia no Rio de Janeiro poderiam ser postos a trabalhar no Metrô dia e noite, quem pedisse água seria desclassificado. O Estado acabaria com poucos engenheiros novos — aliás, uma segurança para a população — mas as obras do Metrô progrediriam como nunca. Na direção errada, mas que diabo.
O certo é que do jeito que está não pode continuar. E ainda por cima, há os cursinhos pré-vestibulares. Em São Paulo os cursinhos estão usando helicópteros na guerra pela preferência dos vestibulandos que terão que repetir tudo no ano que vem. Daí para o napalm, o bombardeio estratégico, o desembarque anfíbio e, pior, uma visita do Kissinger para negociar a paz, é um pulo. Em São Paulo há cursinhos tão grandes que o professor, para se comunicar com as filas de trás, tem que usar o correio. Se todos os alunos de cursinhos no centro de São Paulo saíssem para a rua ao mesmo tempo, ia ter gente caindo no mar em Santos. O vestibular virou indústria. E os robôs que saem das usinas pré-vestibulares só tem dois movimentos: marcar cruzinha e rezar.
O filho da nossa nervosa amiga chegou em casa meio pessimista com uma das provas.
— Sei não. Acho que tubulei. O Inglês não estava mole.
— Mas meu filho, hoje não era inglês! Era Física e Matemática!
— Oba! Então acho que fui bem.

Luis Fernando Veríssimo.



Essa crônica eu tirei de um blog que eu acompanho, gostei muito! Sairá hoje ou amanhã o resultado do meeeeu vestibular... :S Obrigada a todos que torceram, de coração. Realmente, só quem já passou por isso sabe o que é aflição de vestibulando! :P Mas pelo menos no ENEM eu achoq ue fui bem. Mas tenho certeza, por que não sei o quanto é preciso pra ir bem... Agora só me resta esperar. Um beeeeeeijo em cada um =*

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

La nostalgie

Hoje fui visitar a escola em que estudei quando criança, na intenção de matricular meu primo, que começa a estudar esse ano. Mas, quando cheguei lá, descobri que a escola fechara, o prédio estava aberto apenas para retirar o material que lá restava, e aquilo me doeu tanto! Pode parecer banal, mas como nostálgica que sou (como já disse aqui), cada lugar em que eu passava trazia-me uma avalanche de memórias tão doces e tão intensas que eu nem queria mais ir embora. Logo na entrada vi o espaço onde esperávamos nossos pais - no qual eu passava bastante tempo,heheh! isso não mudou ainda nem eu acho que vá mudar tão cedo :P - depois dos treinos, em frente ainda havia a barraquinha de cachorro-quente, e o fiteiro, onde todos nós tínhamos conta. Então vinha um pequeno jardim, onde eu adorava brincar, e lembrei-me da "noite do pijama" que teve em algum final de ano, e nesse jardim o papai Noel deu-me um presente: Um Super Nintendo! hauauhaua (o único video-game que eu tive até hoje). Ao lado do jardim ficava a sala da direção, onde a gente ficava no intervalo quando não sabia a tabuada. Passei pela placa de "Formandos do ABC" e vi tantos que eu nem me lembrava que estudavam lá, mas lembro e tenho contato com a maioria deles. Entrei na quadra e me lembrei dos jogos internos (o maior evento do ano! :P ), dos treinos de vôlei e basquete, das brincadeiras, das peças, danças, feiras de ciências, da formatura, de tudo. No pátio menor tinha um parquinho, e nele havia jaulas pequenas com alguns animais. Os velhos coelhos! Claro que não eram os mesmos, mas sempre tinha coelhos e calopsitas lá. No pátio maior a mesma catina, tudo quase igual, mas agora construíram uma rampa para deficientes físicos. Mas, ainda era o mesmo, onde fazíamos filas antes da aula, para rezar e cantar o Hino Nacional todos os dias. E também os velhos jogos de mesa, onde eu aprendi a jogar totó e derrubo quase todos até hoje! HAIEUHIUEH Passei pelas salas, pelo parquinho de trás, onde tem a piscina e os banheiros onde a gente tomava banho quando tinha aula nos dois turnos. De baixo eu vi a grade corredor onde um dia eu fiz uma festa-surpresa-solitária para Marina, que era minha melhor amiga. Comprei um mini-bolo e cantei parabéns pra ela, no final do corredor, só a gente. E eu me lembro que ela ficou tão feliz! Esse corredor era perto da biblioteca, onde eu passei muito tempo e aprendi - com Marina - a gostar de Monteiro Lobato. Isso tudo eu vi de baixo, não agüentei subir. Se subisse, morreria de chorar. São 10 anos de história, que não será apagada tão cedo. O Pinocchio foi uma escola de muitos anos, que formou inúmeros excelentes profissionais, mas que agora não forma mais ninguém.

Um beijo para todas as minhas professoras, Tia Penha, Tia Lena, Tia Elizabeth, Tia Rosário, Tia Eliane, Tia Elba e Tia Socorro, que são as que eu me lembro, mas não acho que haja outras. Figueiredo e Túlio, professores de vôlei e basquete, que pareciam gostar tanto de mim e me davam carona pra casa as vezes :P . Ao professor de artes, por ter paciência para esperar que eu pintasse a mesma tela ao menos três vezes para que gostasse. À professora de Francês, com a qual dei os primeros passos na língua. Aos meus amigos Marina, Thayssa, Larissa, Luíza, Rebecka, Ítalo, a outra Larissa, o outro Ítalo, Natan, Caio, Wagner, Milton, Tao, Thaís, Carlos e tantos outros que não me recordo mais, o meu muito obrigada por todos os bons momentos! Um grande beijo, e até quando a vida nos proporcionar um novo encontro.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Tudo novo, de novo!

Li há pouco um texto que escrevi em meu antigo blog, há cerca de um ano, falando sobre minhas expectativas para 2009. Fiquei feliz ao perceber que não me decepcionara. 2009 foi um ano do qual levarei inúmeras boas lembranças, ótimos amigos e muitas risadas. Amadureci muito esse ano, e senti como nunca o peso de minhas responsabilidades. Aprendi, sorri, chorei, como em todos os outros anos, mas nunca senti-me tão intensa em relação a estas situações. E 2010 chegou, trazendo-me mudanças ainda mais fortes. Ainda não posso planejar muito como serão meus próximos 12 meses, por que quase tudo depende do resultado do vestibular. Mas, se há algo que eu desejo aprender é a lidar melhor com o tempo. Usá-lo como um aliado, não como um inimigo. Aprender a "encerrar os ciclos", como diria Pessoa. Este é mais um motivo para eu estar criando outro blog: aprender a me desprender do que já não me pertence mais. Pessoas, coisas ou lugares muitas vezes se perdem com o tempo, e algumas vezes o que nos resta é simplesmente deixá-los ir. Sou nosltágica por natureza, não tem jeito. Mas os antigos textos me fazem lembrar de muito do que preciso "deixar o vento levar".

Preocupe-se um pouco menos com o futuro, esqueça um pouco mais o que passou; por que o que de fato nos pertence é o presente. Espero que o novo ano traga-me ainda mais surpresas. 2010 promete, e espero que ele cumpra! (hahaha gostei, Natan :P )

"I feel the salty waves come in, I feel them crash against my skin, and I smile as I respire because I know they'll never win...!"

ps: espero que o próximo post seja melhor do que este. xP